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Hoje dia 30 de setembro, dia do meu aniversário, dia do tradutor e dia da secretária, um colega meu e tradutor juramentado me mandou a seguinte explicação sobre o tema que achei digna de publicar
Um belo dia, lá para o ano de 382, o papa Dâmaso chegou à conclusão de que alguém precisava dar um jeito na Bíblia latina.
“A Bíblia, como entendida pelos cristãos, é uma coletânea de textos escritos originalmente em hebraico e aramaico. O que os cristãos chamam Novo Testamento só nos resta em grego. Havia, desde o tempo de Alexandre Magno, uma tradução grega das escrituras judaicas, feita pela comunidade judaica de Alexandria, mas, à medida que o cristianismo se expandia para o ocidente e se perdia o conhecimento de grego, fazia-se necessária uma tradução em latim, que era a língua que a maioria entendia.
Na verdade, já existia um texto latino, ou, melhor dizendo, uma porção deles, mas nenhum muito confiável. Era necessário, então - entendia o papa - fazer uma tradução que prestasse ou, ao menos, revisar, organizar, uniformizar e consolidar o que havia.
O papa encarregou seu secretário de arrumar aquilo tudo. Já naquela época, tradução era considerada coisa de secretária, como você vê. O secretário do papa era um tal de Eusebius Sophronius Hieronymus. Sabia latim, que era o que se falava em Roma, sabia bem grego, como todo homem culto de seu tempo, e enganava bem em hebraico.
Sua vida agitadíssima, algo rocambolesca, terminou em 30 de setembro de 420. Intelectual cristão respeitado até pelos judeus, Jerônimo teve lá suas limitações e falhas, como todo tradutor que se preze. Não vou agora ficar apontando as falhas dele como tradutor. Nem que quisesse, poderia, porque entendo quase nada de latim, menos ainda de grego e absolutamente nada de hebraico e aramaico. Lembro então aqui por que dia 30 de setembro é dia da secretária e também dia do tradutor e desejar a todos nós um bom ano tradutório e - por que não dizer - secretarial.”
Um bom dia a todos os tradutores(as) e secretarios(as)
Francisco Javier Jerônimo.